INTRODUÇÃO
Tribos Urbanas
Este trabalho tem como objetivo retratar os diversas tipos de territorialidades existentes na cidades brasileiras. Sendo assim torna-se necessário fazer um breve levantamento histórico sobre o processo de urbanização do país no período pós-segunda Guerra Mundial. Com o crescimento das cidades a partir da década de 60, fruto do processo de industrialização, as cidades passam a abrigar um enorme contingente de pessoas oriundas da zonas rurais de diversas regiões brasileiras, principalmente o Nordeste. Essa avalanche populacional, no caso especifico do Brasil, se deve principalmente a falta de infra-estrutura nas zonas rurais bem como o sucateamento das técnicas agrárias e a concentração fundiária, resquício de um passado colonial exploratório. Sendo assim, as camadas sociais que deixavam o campo em direção as cidades eram constituídas por pessoas de baixo nível sócio-econômico, bem como de baixa instrução escolar.
Até no final do anos 60, o Brasil era uma sociedade agrário- exportadora, com a maioria de sua população residindo no campo e exercendo atividades agrícolas. No governo de Vargas muitas obras foram construídas com o intuito de alavancar o desenvolvimento econômico do Brasil que até então se resumia em atividades industriais tradicionais. Este caráter pouco industrial do Brasil se deve as proibições das antigas metrópoles que não queriam se sentir ameaçadas por suas ex-colônias, daí a proibição quanto a abertura e até mesmo o fechamento de setores industriais já existentes no país. O grande domínio da colonização portuguesa na América, as culturas encontradas no seu território caracterizavam-se por um estágio de desenvolvimento bastante diferente, sem nenhum vestígio de vida urbana, com os indígenas vivendo organizados em tribos de agricultores. Isso produziu um retrocesso gigantesco em nosso desenvolvimento industrial. Foi nos governos de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek que incentivos nesse setor passam a ser sentidos. Dessa forma, ocorre uma melhoria no sistema de transportes, com construção de rodovias o que mais tarde será um caminho aberto para as migrações internas. As distâncias começam a se tornar relativas e isso leva um fluxo gigantesco para as cidades, o que gera um crescimento descompassado das cidades. Com o crescimento da economia nos anos 70 esse crescimento se amplia e o fluxo migratório também. Dessa forma, as cidades passam a não comportar o grande fluxo de pessoas. Os serviços já não são suficientes, falta emprego, moradias, escolas de qualidade, serviços médicos, moradias, etc. Os operários urbanos passam a ser empurrados para as periferias das grandes cidades, invadindo áreas de preservação ambiental, marginais de rios e encostas que gradativamente serão alteradas colocando em risco a vida dessas pessoas. Os desterritorializados do campo passam o ser também na cidade , gerando bolsões de pobreza e marginalidade nessas áreas. Tais regiões, mais tarde, passam a ser controladas pelo tráfico de drogas tornando a vida dessas pessoas ainda mais excludente.
Neste novo cenário econômico, as cidades passam a desempenhar um importantíssimo papel, onde a força econômica gera o desenvolvimento de atividades no setor terciário empregando assim milhões de pessoas, porém a oferta não conseguiu acompanhar a demanda gerando cidades macrocéfalas. No Terceiro mundo essas cidades são mais comuns do que nos países desenvolvidos, daí o problemas sociais serem menos gritantes nestes últimos. Com o crescimento físico das cidades, ocorre paralelamente o crescimento populacional, o qual alguns demógrafos chamam de explosão populacional. Tal crescimento se deve a diminuição dos índices de mortalidade e a manutenção dos índices de natalidade. As famílias mais pobres são aquelas que representam o maior índice de fecundidade. Na década de 90, com o avanço dos meios de comunicação, principalmente a difusão da internet por banda larga- final do século XX e início do século XXI- Novas tendências são apresentadas ao mundo, em especial ao mais jovens, que através da moda, da música e danças, passam a usufruir de uma cultura mais globalizada e dessa forma surgem na cidades diversas tribos que através do seu modo de vestir, de falar, cantar, dançar expressam uma forma diferente que muitas vezes não se encaixa dentro daquela sociedade tradicional do século passado. Sendo assim, esses jovens, passam a andar em grupos que expressam seu novo estilo de vida e, que de certo modo passa a ser visto de uma maneira marginalizada pela sociedade. Dessa forma esses grupos criam territórios próprios que, durante o dia servem de território para famílias e durante a noite vão abrigar diversos grupos ou tribos. Por tribos urbanas entende-se microgrupos que têm como objetivo principal estabelecer redes de amigos com base em interesses comuns. Essas agregações apresentam uma conformidade de pensamentos, hábitos e maneiras de se vestir. Um exemplo conhecido de tribo urbana são os punks. Segundo Michel Maffesoli, o fenômeno das tribos urbanas se constitui nas "diversas redes, grupos de afinidades e de interesse, laços de vizinhança que estruturam nossas megalópoles. Seja ele qual for, o que está em jogo é a potência contra o poder, mesmo que aquela não possa avançar senão mascarada para não ser esmagada por este". Surgem os desterritorializados nas cidades que representam os mendigos , as prostitutas, os encarcerados, os gays, os góticos entre outros. Esses cidadãos acabam muitas vezes sendo excluídos da sociedade ou colocados em segundo plano, principalmente aqueles de baixo poder aquisitivo, e que organizam-se em grupos para conseguir minimizar tal situação. Entretanto, com o processo de globalização a visão da sociedade sobre alguns grupos vem tomando um novo rumo embora muito ainda tenha que ser feito para que essas barreiras sejam quebradas e esses cidadãos sejam novamente territorializados. Para que isso seja possível será necessário melhorias na qualidade de vida das pessoas , com cidadãos dignos e redução da mendicância e da prostituição nos grandes centros urbanos, contribuído assim para a queda dos índices de criminalidade .